quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Vamos lembrar do Tibete

Hanna Foltyn-Kubicka

24.10.2008

(Tradução direta do original em polonês por Anna Orzech Kurahayashi, Colaboradora do Tibete Livre - Brasil, a partir do site www.ratujtybet.org)

No século XXI o interesse da mídia é a arma mais eficaz na luta contra injustiça, violação ou estupidez. Como que por um toque de varinha mágica, a viúva de Bielawa, agricultor de Maribor ou o bombeiro ferido de Cincinnati, de repente conseguem resolver as coisas antes "impossíveis de se resolver", recebem permissão para a construção sem "dar um jeitinho" e até conseguem bloquear a decisão sobre a construção da estação de processamento de lixo, prevista à distância de poucos metros de sua casa. O presidente do Irã ordenou a liberação do homem condenado a pedradas, por ter sido flagrado três vezes consumindo álcool... Os exemplos da força salvadora da mídia podem ser enumerados até pela eternidade.

Infelizmente, o interesse da mídia tem também seu preço. Tem que ser um "furo jornalístico", ou um escândalo, em outros casos, sangue, sexo, quebra de tabu... Mídias são uma parte do mercado livre e o mercado é regido pela procura e o sangue sempre se vende muito bem. “... Vocês ouvirão sobre os feitos sangrentos, incríveis...”, tal como escreveu o mestre Shakespeare.

É assim no caso do Tibete. As mídias tal como um cão caçador se jogaram num rastro sangrento agora, quando não podem apresentar dados sobre mortos e feridos, se interessaram por outros temas. Claro, estou feliz que os soldados chineses não mataram mais dezenas de tibetanos em Lhasa. Uma das razões é a pressão da opinião pública global, formada, entre outros, pela mídia. Não podemos esquecer a contribuição dos jornalistas que, às vezes, pondo em risco a sua própria vida, nos informaram sobre a tragédia do povo tibetano. Será que tem que acontecer outro massacre para que o mundo tente mais uma vez "suavizar" a atitude das autoridades chinesas?

A nova estratégia das autoridades de Pequim com certeza não vai despertar tanto interesse da opinião pública internacional, será menos sangrenta e, como tudo indica, será mais eficaz. Como informa a Rádio Ásia Livre, a luta contra os "terroristas tibetanos" não pára. Faz pouco tempo, o tribunal chinês condenou quatro "bandidos perigosos" da província de Markham a penas longas por distúrbios à paz olímpica em Pequim com detonações. Os presos têm 19 anos e o feito que eles realizaram foi a detonação de alguns fogos de artifício. Isso foi o suficiente para a acusação e o julgamento.

Infelizmente, a Europa não está mais interessada pelo tema do Tibete. Alguns dias atrás, um amigo meu me trouxe uma foto da sua viagem à cidade francesa de Perpignan. A foto mostra a bandeira tibetana com cores pálidas, pendurada tristemente na varanda de uma casa grande (ver foto abaixo).






Esta imagem demonstra muito bem, na minha opinião, um certo aborrecimento dos europeus com o terror no Tibete. Não se pode não ter a impressão de que o Ocidente age conforme um velho ditado: "que seja guerra lá, o que importa é que a nossa vila seja tranqüila".

Fonte: www.foltynkubicka.pl via www.ratujtybet.org

Nota: A polonesa Hanna Foltyn-Kubicka é deputada no Parlamento Europeu e é muito ativa na luta pela causa tibetana.


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